Belíssimo! Depoimento de quem foi a Guerra!  

eito automaticamente no subconsciente. Todos sabiam o que fazer. Graduação, títulos, nada representava. Os 24 a bordo eram todos solidários. Para mim, repito. Vocês são

Escola Naval – 6 de Nov 2013


Este não é um discurso. È um depoimento que Vocês devem conhecer.
Meus colegas de Marinha. Estou chamando Vocês de colegas. Para mim são, embora já esteja com 90 anos e quando me desliguei do serviço ativo Vocês ainda não tinham nascido. Nossa Marinha tem um espírito de corpo extraordinário que foi muito reforçado na 2ª. grande guerra. O navio é um só. O risco é de todos. Essa condição faz o cérebro de toda a guarnição comandar as ações ajudando uns aos outros. No caso da guerra não podia haver erros, atrasos, falta de atenção. Tudo tinha de ser executado para garantir o cumprimento das ordens de operações, a segurança dos navios e de suas próprias tripulações. O nível de preparo para essas ações era tal que ninguém precisava dar ordens. Tudo era f

colegas. A Marinha é uma só. E nossa guarnição também se comportava como uma coisa só.
A Guerra se alastrava em 1942 e a Escola resolveu operar continuamente para ganhar tempo. Acabaram as férias. Em Agosto de 1942 foram afundados 6 navios e morreram mais de 600 brasileiros. O Brasil declarou Guerra. O Brasil e os EEUU fizeram um acordo de cooperação de vigência imediata. O Brasil permitiria a instalações de bases operacionais americanas onde necessárias às operações que seriam conjuntas. O Brasil receberia todos os equipamentos de uma usina siderúrgica, a CSN, 24 navios antissubmarinos, equipamentos e munição antissubmarina para equipar os navios nacionais, e instalaria todo o armamento dos 3 destróier em construção no AMRJ. Organizariam os comboios e o fornecimento de mantimentos para manter as tropas aliadas na Europa. O Exercito enviaria uma Divisão de soldados para o teatro de operações da Itália e a Aeronáutica um Grupo de Caças.
O esforço de guerra foi enorme. Os comboios de 10 em 10 dias saiam do Rio com destino a Trinidad, sem escalas, com 20 a 30 navios, cada um levando 10.000 toneladas de arroz ou feijão, ou milho, ou açúcar, ou café ou outros grãos. Recebíamos a informação via radio cifrada da posição de cerca de 6 submarinos permanentemente detectados pelo sistema radiogoniométrico na costa brasileira. Para aumentar a segurança o Comodoro no navio líder do Comboio, alterava o rumo frequentemente procurando desviar-se desses submarinos. A missão dos navios escolta era garantir a passagem dos mantimentos para a guerra, não caçar submarinos. Missão cumprida com um mínimo de perdas.
Até Recife a escolta era brasileira. Ai emendava escolta mista até Trinidad onde todos reabasteciam. A escolta de ida trazia outro comboio de volta.
Os navios de 70 anos atrás não tinham as condições de trabalho e o conforto dos navios de hoje. Não existia ar condicionado. Era só ventilador. Quando no porto, o navio devia estar sempre pronto. O Comandante só liberava o pessoal para ir a terra às 18 horas devendo estar a bordo às 23. O comum era receber ordem para zarpar às 24 horas. Cada dois meses aportava no Rio de Janeiro trazendo um comboio e saia 6 dias depois comboiando. No Rio, trabalhava-se diariamente, mas era permitido dormir em casa.
Água doce refrigerava os motores em circuito fechado com trocador de calor. Era estratégica. Qualquer vazamento nas juntas dos motores obrigava utilizar a água doce do navio para não interromper a escolta em andamento. Para garantir esse estoque de água, ninguém podia gastar água. Era vedado fazer a barba, tomar banho ou lavar qualquer roupa. Só podia lavar os dentes. Comia-se o que era possível preparar. Era terminantemente proibido fumar a bordo para não ser percebido pelo periscópio de algum submarino. Os navios viajavam inteiramente às escuras.
O caça pau era um navio pequeno, valente e bem construído. O mar da Costa Norte do país, chamado de picadinho pelas suas ondas curtas, fazia o navio se chocar com as ondas, tremendo todo e gerando uma chuva de água salgada que cobria o navio. Só se dormia na exaustão e no calor dessa área perto do equador. Quem tivesse de ir ao convés ou trabalhar no tijupá tomava banho salgado durante todo o serviço. Que uniforme ou roupa usar nessas condições? O comum era usar bermuda mescla e tamancos ou sandália baiana com sola de pneu velho. Após o serviço, descia para dormir salgado. O lençol da cama ficava gosmento de suor e sal. Quando o mar era de través e o navio balançava de 10 a 30 graus, o único jeito de dormir era se posicionar em esquadro com um ombro no casco de madeira e o outro no colchão da cama para não ser rolado na cama o tempo todo.
Eu servi no caça dois anos. Nunca ouvi qualquer comentário, queixa ou desabafo dessas precárias condições. Comandei muita gente na minha vida profissional, mas nunca vi senso de responsabilidade, espírito de equipe e dedicação às operações como nas guarnições dos navios de patrulha durante a guerra. Já recebi muitos diplomas e medalhas na vida, mas o meu maior orgulho e honra foi ter feito parte da guarnição do caça executando serviço de guerra. Por isso chamei Vocês de colegas. Se tivermos de enfrentar operações de guerra novamente tenho certeza que agiriam da mesma forma que os colegas dos navios da Marinha na guerra. Essa é a gente da nossa Marinha. È nessa Marinha que Vocês foram incorporados.

Cmte Antonio Didier Vianna, PhD. =============================================================================================== Joleo da Veiga Cabral Nome de Guerra: JOLEO Posto/Quadro: Major-Brigadeiro-do Ar Data Formatura no Quadro: 29 de dezembro de 1934 Unidades onde serviu: 1ª Zona Aérea, em Belém/PA, no Posto de Brigadeiro-do Ar, como Comandante de 09 de agosto de 1965 a 14 de janeiro de 1969, e Comissão de Aeroportos da Região Amazônica (COMARA), no Posto de Brigadeiro-do Ar, como Presidente de 09 de agosto de 1965 a 14 de janeiro de 1969. Qualificação no PBY: 2º Piloto
Horas de voo em PBY: 500 Observações: Nascido em 03 de abril de 1914, no Estado da Guanabara. Ingressou no Exército, em 09 de abril de 1931, na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro/GB. Transferido para a Aeronáutica, em 20 de janeiro de 1941, no Posto de 1º Tenente Aviador. Meu pai, Joleo da Veiga Cabral,nasceu em 1914.Ingressou no Exército,foi da arma de Cavalaria e ,quando se criou Aviaçâo Militar,para lá se dirigiu em 1938.Em 1941,quando da criação do Ministério da Aeronáutica, foi um dos primeiros a optar pela transferência. O Ministério foi uma fusão da Aviaçáo Naval com a Aviaçao do Exército. Seu chefe no Campo dos Afonsos foi o então Capitão- Aviador Eduardo Comes,depois patrono da Aeronáutica brasileira.Serviu como tenente em Belém e foi designado piloto de aeronave Catalina (PBYA],um hidroavião muito usado também pela US NAVY.Com essa aeronave ,patrulhou a costa do Brasil com a missão de atacar os submarinos alemães que torpedeavam nossos navios mercantes.Por sua atuação,foi agraciado com a Medalha da Campanha do Atlantiico Sul .Após,foi nomeado comandante da Base Aérea de Fortaleza em 1944 are 1948. VEIGA CABRAL =============================================================================================== Luiz Fernandes Barata Pai do companheiro Ivo Barata, aprovado para a EN em 1912 e promovido a GM em fev de 1917, em plena Primeira Grande Guerra ( 1914/ 1918)foi logo servir no encouraçado São Paulo, e depois no CT Amazonas.
Patrulhou a nossa costa já bastante invadida por submarinos alemaes, em represália ajuda do Brasil prestada aos aliados na Europa enviando navios, médicos e soldados.
O afundamento de navios brasileiros obrigou o presidente Venceslau Brás a declarar Estado de Guerra ao Impéro alemão em novembro de 1917 .
Muito mais tarde , em 1942, já como Corveta, o referido oficial da MB, participou da Segunda Grande Guerra,( 1939/ 1945) comandando o CT Sergipe. Nessa época, realizou comboios e diversas viagens de alerta e vigilância na costa sul do Brasil contra os submarinos alemães que torpedearam seis navios brasileiros, entre 5 e 17 de agosto 1942.
Esses terríveis acontecimentos obrigaram o então presidente Getúlio Vargas declarar guerra a Alemanha, logo em seguida,ou seja, no final de agosto de 1942 .
Foi para reserva como Alte cinco estrelas em 1958 completando na MB, o período de 46 anos de serviços prestados.

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