COMO A COBRA FUMOU
Relato do Major Antonio Alves da Rocha Loures.
Em 1942, o Brasil declarou guerra aos países do Eixo, Alemanha, Itália e Japão, após uma série de afundamentos de navios mercantes na costa, em viagem de cabotagem.
Em 1944, após treinamento de campanha, o 11°RI foi embarcado no navio transporte de tropa General MEIGS, no porto do Rio de Janeiro, atravessou o Atlântico, entrou no mar Mediterrâneo, e atracou em Nápoles. Deste porto a tropa foi transferida para lanchas de desembarque com destino ao porto de Livorno. O Regimento foi acantonado em barracas, a fim de receber instruções de guerra por oficiais americanos.
Em outubro de 1944 tiveram início os primeiros combates em FORNACI, Porreta Terma .
Em 12 de dezembro de 1944 foi, mais um ataque ao Monte Castelo, fracassado devido à forte resistência alemã, apesar de o Tenente ROCHA LOURES à frente de seu pelotão ter cumprido com êxito a missão que lhe foi confiada: no flanco W ultrapassou C. CORAZZA e atuou ofensivamente sobre MAZZANCANA, em ação diversória do ataque principal, e por ordem superior foi obrigado a retrair.
Na conquista de CASTELNUOVO, recebeu, o 1°Tenente ANTONIO ALVES da ROCHA LOURES, da 5a./CIA/11RI, o seguinte elogio: durante o ataque, ante a situação angustiante em que se manteve com seu pelotão, que teve 15 baixas nos primeiros momentos do bombardeio, soube conduzi-lo com rara calma e desprendimento, levando-o para um ponto onde pode socorrer todos os feridos, que devido a ação do inimigo, só puderam ser evacuados às 18 horas, tendo sido feridos às 09 horas!
A conquista de Castelnuovo mereceu um elogio por escrito do General Willys D. Crittenberger, Comandante do IV Corpo de Exército US, dirigido a cada oficial e praça que tenha tomado parte nessa conquista que deve ser calorosamente cumprimentado.
Participou dos combates de MONTESE e, ao seu Regimento, o 11°, coube a missão principal que consistia na conquista do maciço MONTESE-Cota 888- MONTELLO. Na noite do dia 15, a Infantaria suportou o maior bombardeio alemão desde os sangrentos combates pela posse de ANZIO, no início da campanha da Itália.
A ordem após MONTESE era para seguirmos em direção ao rio Panaro, no quarto dia recebemos ordem de embarcar em caminhões que seguiam rumo ao norte. O Tenente Rocha Loures, com seu bom humor, disse entusiasmado. “ Atenção! De agora em diante vamos colher os louros da vitória! Segue-se uma grande ofensiva em direção a PARMA que estava arrasada.
Após o rude e sangrento combate de Montese, as forças alemãs, em decomposição, batiam em retirada para as planícies do Vale do Pó. O Alto Comando dava curso com uma arrancada-relâmpago destinada ao aprisionamento da famosa 148a. Divisão de Infantaria Ligeira Alemã. No dia 26 de abril, a vanguarda do 11° Regimento chegou a COLLECHIO, alcançando a importante rodovia para a PARMA, neste mesmo dia.
É de salientar-se a ação do valente paranaense, herói da gloriosa jornada de Castelnuovo, 1° Tenente R-2 ANTONIO ALVES da ROCHA LOURES que, à frente do 1°pelotão da 5a. Companhia do 11° RI, em missão principal, contornou a vila de COLLECHIO, com o objetivo de capturar o castelo da localidade. Durante a progressão capturou dois soldados alemães que se encontravam de sentinela no muro que circundava o castelo. À pequena distância, entretanto, foi detido por cerrado fogo de morteiros de 45mm, metralhadoras, fuzis, granadas de mão e bazuca, o que confirmava as informações prestadas pelos prisioneiros, de que este baluarte se encontrava fortemente defendido.
Tornava-se indispensável localizar estas armas para que o pelotão do Tenente Rocha Loures pudesse prosseguir, e somente um único local poderia servir de observação: o Tenente Barreto atravessa a linha de combate e penetra na torre e comanda o fogo, usando um telefone de mão (hand talk), as armas silenciam.
O Tenente Rocha Loures com seu pelotão, agora apoiado por tanques, prossegue o ataque. O inimigo retrai, o pelotão invade o castelo onde são encontradas provisões e farto material de guerra. A esta altura o Tenente Rocha Loures é atingido por uma dezena de estilhaços de morteiro. Mesmo assim, permanece com seus comandados, na posição conquistada, sendo evacuado somente depois que outro oficial o substitui.
O feito da 5a. Companhia, e em particular, a ação do Tenente Rocha Loures, permitiu o emprego da 6a. Companhia. Pela sua atuação no campo de batalha, foi condecorado com a Cruz de Combate de 1a. Classe, a mais alta condecoração que um militar pode receber em combate. E, por ter sido ferido em combate, foi agraciado com a Medalha Sangue do Brasil.
Com o aniquilamento da vanguarda da 148a. Divisão de Infantaria alemã, durante os combates registrados em COLLECHIO, grosso das forças alemãs ficou cercada a uns 10 quilômetros, à retaguarda, na região de FORNOVO DI TARO pelas tropas brasileiras e por dois pelotões de tanques americanos.
Os combates em FORNOVO levaram à rendição incondicional a famosa 148a. Divisão de Infantaria alemã. Em COLLECHIO foram assentadas as bases para a rendição das tropas alemãs.
assim termina a Segunda Guerra Mundial. Major ANTONIO ALVES DA ROCHA LOURES, então 1°Tenente do 11° Regimento de Infantaria de São João Del Rey, foi agraciado com as seguintes condecorações:
MC- MEDALHA DE CAMPANHA
MC- MEDALHA DE GUERRA
MSB- MEDALHA SANGUE DO BRASIL
CC1a. - CRUZ DE COMBATE DE PRIMEIRA CLASSE
Ao regressar para o Brasil, foi promovido a Capitão e posteriormente, transferido para a Reserva e reformado no posto de Major.
Faleceu em 24 de abril de 1980, em Curitiba, Paraná, com 70 anos de idade. Foi homenageado pela Prefeitura de Curitiba, em reconhecimento aos feitos na Campanha da Itália, e pela sua atuação na vida civil, com seu nome em um logradouro em Curitiba: Praça Major Antonio Alves da Rocha Loures, CEP 81270-650- Cidade Industrial , Curitiba- Paraná. Fontes de consulta
O Paraná na FEB. Agostinho José Rodrigues.
COMO A COBRA FUMOU. Walter Weiss.
Informações pessoais.
Internet. Transcrições feitas pelo Capitão de Fragata (RRm) Antonio Carlos da Rocha Loures, filho do Major Antonio Alves da Rocha Loures. Rio de Janeiro, 17/01/2025.